sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mais um festival - final


A ansiedade era grande. Enquanto os jurados se reuniam em algum lugar fechado para contabilizar as notas, o grupo vencedor da edição anterior do festival fazia um show que eu nem conseguia acompanhar. Sabíamos que estaríamos entre os primeiros colocados, mas era um saber apoiado apenas em suposições, na reação do público, nos comentários de bastidores dos concorrentes, nos cumprimentos mais animados que recebi de parte da equipe que organizava o evento. No fim, todos os finalistas esperavam por um bom resultado, já que muitas músicas eram de qualidade e tinham tido boa receptividade do público. Uma ou outra se sobressaiu, é verdade, e a nossa foi uma delas. As três primeiras classificadas iriam se reapresentar, por isso lembro que nenhum dos cantores arriscou beber uma cerveja que fosse nesse intervalo. Também haveria a reapresentação do melhor intérprete e da melhor letra. Eis que o show da banda termina, chegava a hora de conhecer o resultado final.


A campeã do Festival de MPB da TV Tupi, realizado em 1979, foi "Quem me Levará Sou Eu ", de Manduka e Dominguinhos, defendida por Fagner.

Melhor letra: deu a marcha-rancho. Não lembro o nome da música, menos ainda qualquer trecho dela. Mas lembro do autor com seu violão subindo ao palco para receber o prêmio, sob aplausos. Os músicos subiram juntos, e já foram se preparando para reapresentarem a música. Uma movimentação qualquer do pessoal da organização e todos desistiram, descendo mudos e ainda mais sorridentes do palco, o que fez todo mundo concluir que eles estariam entre as três vencedoras, o que não era nenhuma surpresa para mim nem, acredito, para a maioria das pessoas que estavam lá naquela noite


"Dona", de Sá & Guarabyra, embora tenha tido grande destaque como finalista do MPB Shell 82, não ficou entre as premiadas.

Melhor intérprete: o apresentador chamou meu nome. Eu não esperava ganhar tal prêmio. Estava apostando em uma garota que havia defendido uma das finalistas, que apesar de não ser uma das favoritas como música, tinha possibilitado a ela mostrar uma voz muito afinada e com boa extensão de notas. Surpreso e feliz, me desvencilhei dos abraços para subir ao palco e receber um envelope onde havia um certificado feito às pressas. Tão às pressas que haviam grafado errado a história. Estava escrito lá, com todas as letras: “Marcelo Amorim, melhor intérprete em canto feminino”. É, o cara que datilografou o negócio não entendeu direito o que ditaram, e ao invés de escrever o nome da música, escreveu isso, que virou piada na hora, e da boa.


Jessé foi o Melhor Intérprete do festival MPB Shell 80, ao defender "Porto solidão", de Zeca Bahia e Ginko

Chegara a hora das três melhores classificadas. Que música ficou em terceiro lugar eu não lembro de jeito nenhum. Em segundo lugar, lá estava a marcha-rancho, que entre muitos aplausos e alguns poucos protestos de quem queria que a mesma ganhasse o festival, foi reapresentada e teve seu refrão cantado pela plateia, por mim inclusive. Assim que eles terminaram, me adiantei a cumprimentar o autor e o grupo todo, músicos anos-luz à frente de mim e de qualquer dos amigos, namorada, vizinho, a turma que se juntou para me ajudar a defender a música que fiz em parceria com o Joel de Moraes. De alguma forma, tive a sensação de participar da conquista daquele pessoal da marcha-rancho, acho que por ter apostado na música deles desde o início.


Além de conquistar o 1º lugar no festival MPB Shell 82, o samba "Pelo amor de Deus", de Paulo Debétio e Paulinho Rezende, foi responsável por redirecionar a carreira do cantor Emilio Santiago.  

Eis que chegou após um breve suspense, o apresentador anuncia a vencedora. Quando eu vi, já tinha sido erguido nos ombros por vários amigos que estavam à minha volta, e assim fui levado para o palco. A “Encanto feminino” tinha sido anunciada como a melhor música daquele festival. A festa foi muito grande, e o público era quase unânime em concordar com o resultado. Nos apresentamos de novo sob intensos aplausos e saímos dali felizes da vida, carregando um envelope com uma certa quantia em dinheiro e um troféu, os prêmios pela primeira colocação.


A bela "Verde", parceria dos compositores paulistas Eduardo Gudin e José Carlos Costa Neto, levou o 3º lugar no Festival dos Festivais da TV Globo, realizado em 1985, e projetou nacionalmente a jovem paraense Leila Pinheiro. Na letra era retratado o clima de esperança que tomava conta do país com a recente abertura política.

4 comentários:

francis disse...

Quando Leila terminou, naquela noite, eu disse: essa é a vencedora. Tem um textão recente, lá no Sol, que parece com você. Abç de dezembro.

Marcelo Amorim disse...

Oi, Francis. Vou lá daqui a pouco no teu blog. Você teve toda razão quando ouviu "Verde", foi a mesma coisa que pensei naquele momento.
Um abraço. Isso, já de dezembro.

Dario Amorim disse...

Olá meu irmão...
"A menina acordou, de um sonho estranho. Ela despertou,pra crescer. Enfim nasceu a esperança de amar, de ser livre, de viver em paz!"
Foi um dia pra ficar na história esse. Aliás, pra ficar em nossas histórias, pois, eu também estava lá.
Saudades de ti Guri... Fique com Deus!

Marcelo Amorim disse...

Oi, Dario! Que coisa boa ver você por aqui! Sim, você estava lá, citei isso num dos posts sobre esse festival, acho que na primeira parte. Essa foi uma ótima história que vivemos juntos, entre tantas outras. Beijo pra você!