quarta-feira, 14 de julho de 2010

As velas do Mucuripe

A praia do Mucuripe, em Fortaleza, Ceará, em foto que bati domingo passado bem cedo, da janela do hotel em que estou hospedado.

Fiquei uns dias em trânsito, viajando e me instalando em uma nova cidade, para onde vim a trabalho. Esse processo me impediu de manter postagens regulares, mas ao poucos vou tentar voltar à ativa por aqui. Estou em Fortaleza, a bela capital do Ceará. Ficarei aqui por 3 meses, e quero aproveitar minha estada para falar no blog algo sobre a música nordestina, com um pouco mais de destaque para a produção cearense, na medida do possível. Digo “na medida do possível”, porque não terei o tempo necessário para me embrenhar muito. Vou como der.


Meu apartamento fica no 13º andar do prédio à direita.

Como estou num hotel localizado em frente à praia do Mucuripe, resolvi começar essa jornada musical a partir dela. Claro que quando os cearenses Fagner e Belchior compuseram a música “Mucuripe”, no momento em que a carreira de ambos encontrava-se apenas no começo (com esta música, eles ganharam o Festival de Música Popular do Centro de Estudos Universitários de Brasília, no início dos nos 1970), a praia de Mucuripe certamente era tranquila, pouco povoada, talvez uma pacata vila de pescadores. Nada que sugerisse o que ela se tornaria décadas depois, com essa montoeira de prédios e o asfalto invadindo a areia e roubando parte da paisagem. Ainda assim, o cenário é muito bonito, as velas seguem saindo para pescar e a música “Mucuripe” sempre será, para mim, uma das mais lindas canções brasileiras.

http://www.youtube.com/watch?v=XS7CIwTTGlE&feature=PlayList&p=D8D2B03123A25DEC&playnext_from=PL&playnext=1&index=57
(o código de incorporação deste vídeo não está disponível, basta clicar no link)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Segundo lugar

Foto sem crédito

Como contei brevemente no post anterior, participei da quarta edição do festival Samba do Compositor Paranaense. As apresentações aconteceram no domingo passado, na Sociedade Treze de Maio. Como em todas as edições, haviam sete sambas selecionados entre os inscritos, sendo que destes um foi escolhido, em votação do júri e da platéia, para integrar o CD do festival, a ser gravado ao final de todas as edições.

O nível dos sambas desta edição estava muito bom. Na minha opinião, essa disputa foi mais difícil que a primeira. Fui o sexto a cantar, e sinceramente achava que meu samba “Primeiro tempo” não se classificaria entre os primeiros. No entanto, fiquei em segundo lugar, o que me deixou feliz, pois novamente não levei ninguém para torcer e votar para a minha música. Aliás, desta vez nem minha mulher, a Ariane, pode ir, porque estava com uma gripe violenta, tossindo muito. Então, provavelmente as notas que me classificaram em segundo vieram somente dos jurados, que teve entre seus componentes uma figura das mais respeitadas entre os sambistas de Curitiba, a Mãe Orminda, primeira mulher do Brasil a defender um samba enredo na avenida. Além de muito carismática, a mulher canta muito, e me deixou muito feliz quando olhou para mim e disse “teu samba é maravilhoso”. Ganhei o dia ali. Agora, o samba “Primeiro tempo” vai para uma espécie de repescagem, com os segundos classificados de todas as etapas, e periga entrar no CD. É esperar para ver. Quando eu tiver um áudio deste samba, posto ele aqui. Por agora, fique com a voz e a presença da Mãe Orminda.


Mãe Orminda canta "Como o samba quer e consente" (Cláudio Ribeiro / Tony do Bandolim)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mais um samba no festival

Domingo agora, dia 27, vai acontecer a 4ª edição do festival Samba do Compositor Paranaense. Este festival acontece uma vez por mês, desde março passado. Para cada apresentação são selecionados 7 sambas, e os votos do juri e da plateia decidem qual deles vai fazer parte do CD que será produzido ao final da competição. É a segunda vez que vou participar do evento. O samba que inscrevi se chama "Primeiro tempo", que compus no final do ano passado. Não tenho um áudio dele ainda, talvez tenha na semana que vem. Desta vez, as apresentações vão acontecer na quadra da Sociedade Treze de Maio. Inaugurado em junho de 1888, um mês após a Abolição da Escravatura, numa região que era habitada por negros e que hoje compõe o centro histórico de Curitiba, o lugar oferecia assistência social e promovia a cultura negra entre os escravos libertos.

Rua Treze de Maio, Curitiba. Foto de Pablo Saraiva

Entre os que vão estar lá comigo, concorrendo ao prêmio, tem o vencedor da primeira edição, Gustavo Proença, a cantora e compositora curitibana Clarissa Bruns, que conheci também na primeira edição e que gravou um CD em 2007,  além da Fabiana Lima e do Bruno Andrade, que pelo que pude saber, já há algum tempo desenvolvem juntos um trabalho muito interessante na música. Dos outros participantes eu não consegui informações, vou conhecer mesmo vai ser na hora. Aliás, na mesma hora das apresentações vai estar rolando o jogo Argentina x México, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Apesar do nome do meu samba ser "Primeiro tempo", não vou poder assistir nem o primeiro nem o segundo tempo da partida. Mas a causa é justa. O samba tá bonito, o arranjo na medida, a galera do Grupo Paranapoeta me dando uma força nos vocais, acho que vai dar pra mandar o recado. Depois assisto os melhores momentos do jogo. E que vença quem jogar mais bonito. Na bola e no samba.


Sambas classificados de junho (em ordem alfabética):

Casal companheiro (Cláudio César Peba e Ivo Pereira de Queiroz)

Conselho de amigo (Gusta Proença)

Eterno aprendiz (Julio Morais e Wandeco)

Mal ou bem (Clarissa Bruns)

Morena do barreado (Roze Dobre e Fabiana Lima)

Primeiro tempo (Marcelo Amorim)

Velho espantalho (Luiz Zanotti e Bruno Andrade)

 

Paulinho da Viola canta um pout-pourri com os sambas "14 anos" (Paulinho da Viola e Elton Medeiros), "Jurar com lágrimas" (Paulinho da Viola), "Recado" (Casquinha da Portela e Paulinho da Viola), "Coisas do mundo, minha nêga" (Paulinho da Viola)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Bem-vinda, Adyel

A cantora Adyel Silva, em foto sem crédito

O Notas & Trilhas recebeu hoje a visita e um comentário da cantora Adyel Silva. O blogueiro aqui, que já agradeceu a correção que ela fez na informação que dei sobre ela no post "O jazz, a cantora e eu - parte 1", espera ter ganho uma amiga. Porque uma bela voz para incluir entre aquelas que gosto de ouvir já ganhei. Confira você mesmo no vídeo abaixo, extraído do Programa do Jô, a presença de palco e a técnica vocal pra lá de refinada de Adyel Silva.


Adyel Silva canta "Seo Zequinha", música de Renato Consorte e Adyel Silva

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Intervalo - Guinga

O compositor e violonista Guinga, em foto sem crédito

A Copa do Mundo começou. Aliás, o primeiro jogo está rolando neste momento, numa tevezinha xexelenta que tem aqui na sala da criação da agência, por onde mal dá pra saber no pé de quem a bola está. Juro que eu não queria falar de outro assunto, tamanho é o meu interesse por futebol e minha empolgação pela Copa da África, principalmente pelo que significa um evento como esse ser realizado lá. Mas vou ter que falar de outro assunto. Ou melhor, vou ter que continuar falando do assunto que justifica este blog: a música.


O violão de Guinga, o clarinete de Paulo Sérgio Santos e a voz de Lucia Helena na "Choro pro Zé", parceria do Guinga com o mestre Aldir Blanc

Ontem fui ao teatro Guaira assistir ao show do Guinga, show comemorativo aos seus 60 anos de idade. Quem conhece a obra do Guinga sabe que suas músicas, além de belíssimas, são de difícil execução. Por isso, ele está sempre acompanhado de grandes músicos. Na noite de ontem não foi diferente. Dois clarinetistas, o excelente Paulo Sergio Santos e o italiano Gabriele Mirabassi, que toca com uma técnica fantástica, com uma sutileza no sopro que deixou a plateia de queixo caído; e os violões do festejado Lula Galvão e do virtuose Marcus Tardelli, que tem no Guinga um fã e grande incentivador. Foi de lavar a alma, o teatro aplaudindo de pé várias vezes e por muito tempo essa reunião rara de talentos. Parabéns, Guinga. Você continua enriquecendo nossa música com melodias e harmonias dignas de um gênio da raça.


O violonista Marcus Tardelli interpreta "Mingus samba", também de Guinga e Aldir Blanc

terça-feira, 1 de junho de 2010

O jazz, a cantora e eu - final

Izzy Gordon, em foto sem crédito

Alguns minutos depois do show terminado, após eu ter curtido muito ficar observando as pessoas irem deixando, aos poucos, o teatro, todas com expressão admirada pelo espetáculo que tinham acabado de assistir, dirigi-me aos camarins. Numa porta atrás do palco vi uma escada que descia. Por ela subiam, alvoroçados, bailarinos e músicos aos montesa. Um pouco intimidado, abordei um deles e perguntei pela Izzy. Era justamente o Sebastian, que sem me dizer nada se voltou para o corredor da escada e berrou a plenos pulmões "- Deniseeeee!!!". Pronto, eu acabara de ser apresentado ao nome de batismo da estrela. Agradeci àquela figura ímpar, que sorriu e se foi. Em dois ou três minutos, eis que ela surge, já sem os figurinos deslumbrantes do show, mas ainda assim belíssima. Demonstrando ansiedade, Izzy pediu pra ver o que eu tinha trazido pra ela, então entreguei a fita, explicando do que se tratava. Ela adorou o presente, e sugeriu que saíssemos dali pra comer algo, ouvindo já a fita no carro dela, um intrépido fusca que tinha na placa as letras SW, que a Izzy, rindo muito, disse ser a sigla de "'S Wonderful", um clássico do jazz americano, composto pelos irmãos George e Ira Gershwin. Eu não conhecia a música, mas isso era o de menos naquela noite encantada.


Diana Krall canta "'S Wonderful", em uma bela versão bossa-nova

Por imperfeição minha, e também por coisas da vida, há muito tempo não falo com a Izzy Gordon. Sei que ela continua cantando, e cada vez melhor. Soube que é dela a voz da Maitê Proença, quando esta canta no filme "Onde andará Dulce Veiga", de 2007. Fomos amigos próximos e nos divertimos juntos durante um curto tempo. Tive o privilégio de conhecer sua família musicalmente iluminada. A mãe da Izzy, Denise Duran, tinha sido cantora. Sim, ela é irmã da Dolores Duran, ou seja, Izzy é sobrinha de uma das grandes compositoras da história da nossa música. Além disso, é filha do cantor Dave Gordon (que salvo erro de memória meu, é de origem jamaicana), e irmã do também cantor Tony Gordon. Enfim, Izzy cresceu sendo acordada na madrugada pela presença em sua casa de alguns amigos ilustres de seu pai, gente como Cezar Camargo Mariano, Cassiano, Agostinho dos Santos, Rita Lee e Wilson Simonal. Dancei com a Izzy no espetáculo "Emoções Baratas" por ainda outras noites. Sempre que podia eu ia vê-la (com a vantagem de já não pagar mais o ingresso) e ficava no mesmo lugar, de onde ela me tirava e me conduzia ao palco onde só nós dois - além, provavelmente, de todos os demais integrantes do elenco - sabíamos que não formávamos um casal aleatório, como os outros que rodavam à nossa volta. E assim, desse jeito meio mágico, o jazz entrou definitivamente na minha trilha sonora.


Izzy Gordon canta "A noite do meu bem" e "O que é que eu faço?", do seu CD "Aos mestres com carinho", gravado em homenagem à tia Dolores Duran

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Eu, a Fernanda, o Tom Zé e a Julia Roberts

Antônio José Santana Martins, o baiano Tom Zé, em foto sem crédito, óxente!

De hoje a domingo tem Tom Zé e seu show "Pirulito da Ciência" aqui em Curitiba. Na terca-feira passada, a bilheteria do teatro abriu ao meio-dia já com uma fila enorme. Cheguei 15 minutos depois e fui lá pra trás, depois da curva da esquina, onde esperei, perei, perei e a bicha ("fila" em português lusitano) mal se movia. Explicado depois: ia chegando gente, amigo do amigo do amigo que já tava lá e ficava ali conversando, como quem não quer nada. E assim a fila crescia mais pros lados que pra trás, como devia crescer. Ninguém criou caso, todo mundo com o pensamento prejudicado pela fome - eu ao menos era um que estava - a coisa não podia dar certo. Antes de eu conseguir chegar na boca do caixa já não tinha mais ingresso nem pra sexta, nem pra sábado, nem pra domingo. Dancei, dançamos eu e a Fernanda, que trabalha comigo e comigo também viveu essa angústia por exata hora e meia. Fomos correndo engolir o almoço com aquela cara de tacho, certos de termos perdido não só hora e meia da nossa vida, como também um baita de um show.

Tom Zé é genial, e isso não é novidade pra ninguém que já ouviu, viu, ou mesmo leu algo dele ou sobre ele. Inclusive aquela história mais do que conhecida e abençoada da "descoberta" do artista pelo ex-lider do Talking Heads, o músico David Byrne, no final da década de 1980. E encerro por aqui esse papo, que já tinha me conformado, mas quanto mais falo disso mais fico puto com os amigos do amigo do amigo que foram chegando naquela fila que não havia meio de andar. Agora é esquecer e esperar por uma outra oportunidade pra ver o cara de perto, sabe-se lá quando e onde. Por outro lado, é bom saber que o Tom Zé conquistou o merecido direito de mobilizar tanta gente em torno do seu trabalho. Tinha uma galera bem jovem lá pra comprar ingresso, sinal de que nem tudo está perdido. A não ser aquela hora e meia que passamos, eu e a Fernanda, ouvindo uma mulher que também estava na fila narrar um best seller que ela tinha lido e adorado, e que ia virar filme com a Julia Roberts no papel principal, etc. e etc. Tom Zé que é bom, nada.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O jazz, a cantora e eu - parte 3

O álbum duplo "Singers", da coleção Atlantic Jazz, do lendário selo norteamericano Atlantic Records. Uma coletânea de vozes fantásticas em 25 músicas idem. Tempos depois, encontrei a série completa em um sebo no centro velho de São Paulo. Trata-se de um verdadeiro tesouro musical.

Claro que saí dali encantado. Além do belíssimo espetáculo, da mágica recriação de uma época, dos contagiantes números de dança, das músicas geniais, do show de iluminação, do cenário impecável, dos drinques servidos com absoluta honestidade, eu havia dançado com a linda cantora. No caminho de volta para casa, combinei com o Alexandre que estaria no dia seguinte, domingo, na casa dele. Iria gravar uma fita cassete para a Izy Gordon. Queria gravar exatamente as músicas daquele disco que ele tinha e que ouvimos no percurso até o teatro. Depois, eu voltaria para ver o show, mas desta vez sozinho. Ele se divertiu com a história, e na verdade ambos estávamos meio embriagados, meio bestas. Qualquer coisa que disséssemos a respeito do “Emoções Baratas” – e foi disso que falamos por todo o caminho – seria muito bem vinda.


Jimmy Witherspoon, impecável, canta "Tain’t nobody’s bizness if I do"

Para a minha alegria, o Alexandre resolveu me dar a fita que estava rodando no toca-fitas do carro. Como ele tinha o álbum, ele gravaria outra depois. Assim, ganhei um tempo para chegar mais cedo na bilheteria do teatro no domingo, já que corria o risco de não ter ingresso, mesmo eu precisando de apenas um. Para a minha sorte, não só havia alguns ingressos avulsos ainda disponíveis, como encontrei um no mesmo balcão do bar, embora no banco mais à lateral, de visibilidade pior que o da noite do sábado. Já tendo tomado o meu lugar, fiquei apenas na expectativa da entrada da Izy no palco. Num dos bolsos da minha jaqueta, a fita cassete que eu pretendia entregar para ela naquela noite. Só não sabia ainda como faria isso.


Ruth Brown em "Mama He Treats Your Daughter Mean"


Eis que a Izy aparece no palco, de um jeito tão luminoso que vi nela uma mulher ainda mais bonita que tinha visto na noite anterior. O tecido macio do vestido que ela usava escancarava as curvas do seu corpo. Fiquei curtindo o show sozinho, apreciando cada detalhe que tinha me escapado na primeira noite. A performance dos dançarinos e dançarinas impressionava. Entre todos destacava-se um negro magro, elegante e vigoroso, de nome Sebastião. Terminada a temporada do “Emoções Baratas”, Sebastião adotaria o nome artístico de Sebastian e passaria a estrelar as campanhas publicitárias da rede de lojas C&A, coisa que fez por muitos anos.


Ella Fitzgerald e o clássico da bossa nova "Desafinado"

Chega, então, a hora da volta do intervalo. Para a minha surpresa, a Izy veio na minha direção e me tirou novamente para dançar, o que me deixou muitíssimo feliz. E lá fomos os dois para o palco, desta vez mais à vontade. Durante a dança, ela me explicou que cada um tinha que tirar alguém de um determinado setor do teatro. Disse que aquilo sempre a deixava um pouco constrangida, pois ela tinha receio de convidar alguém que se mostrasse depois uma roubada. Contou que na noite do sábado, como sempre fazia, logo que entrou no palco para o primeiro número foi olhando as opções que teria para escolher, e que assim que bateu os olhos em mim (de um jeito tão sutil que não percebi) decidiu-se imediatamente por me convidar. Por fim, revelou que tinha ficado muito feliz de me ver de novo ali, quase no mesmo lugar, pois tinha se sentido bem comigo. Eu, claro, adorei saber daquilo, e disse que tinha algo para entregar a ela depois do espetáculo. Ela pediu que eu a procurasse no camarim uns quinze minutos depois do fim do show. Despedimo-nos no palco com um rápido beijo. Ela sorriu linda, e pelo restante do show eu tive a sensação de que ela cantava para mim.
(continua)


Peggy Lee canta "Why don't you do right"

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ainda um intervalo - Quinteto Violado

O grupo Quinteto Violado, em foto sem crédito

Os dias têm sido muito corridos, e as noites nem sempre muito diferentes disso. Enquanto não consigo dar sequência na história "O jazz, a cantora e eu", o jeito é apelar para outro clipe. Desta vez, entra em cena o Quinteto Violado, grupo surgido no Recife no início dos anos 1970. Sua mistura de sons e sotaque nordestinos com timbres e arranjos eruditos inaugurou, à época, um novo caminho para a música brasileira. Hoje, saio do trabalho e vou direto para o teatro assistir, pela primeira vez, a um show deste grupo, cuja sonoridade sempre me encantou. O repertório será predominantemente composto por músicas do Luiz Gonzaga. Mesmo se tratando de clássicos pra lá de revisitados por um sem número de artistas, é certo que nada será como antes. Afinal, estamos falando do Quinteto Violado.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Intervalo - Zé Renato

O grande Zé Renato, em foto sem crédito

A elegância e a sofisticação de Zé Renato estarão em Curitiba neste fim de semana, no palco do Teatro da Caixa. No repertório do show, além de inéditas e de alguns sucessos de sua carreira de mais de 30 anos, vão estar as músicas do CD "É Tempo de Amar", em que o artista gravou clássicos da Jovem Guarda. Uma curiosidade desse álbum, é que o Zé não recebeu a tempo a autorização para regravar as músicas compostas pelo Roberto Carlos. Então, no disco só entraram sucessos da Jovem Guarda que não foram criados pelo Rei, o que é quase inconcebível. Pois essa lacuna ele resolve no show, mandando ver nas composições do lider do movimento que chacoalhou o país na segunda metade dos anos 1960.

O Zé Renato é um dos caras que eu mais gosto na música brasileira. Dono de um timbre de voz suave e muito gostoso de ouvir, ele sempre primou pela qualidade impecável em seus diversos projetos, seja nos discos solo, seja quando está integrando o grupo Boca Livre (do qual faz parte desde o início), ou nas vezes em que participa do trabalho de outros artistas. Trata-se de um músico de primeiríssima linha. Estou indo pra lá, meu ingresso é na fila do gargarejo! Não tenho dúvida de que vai ser um show muito bom.

Nota posterior: como eu esperava, o show foi ótimo, o Zé Renato está num estágio fantástico como músico, compositor e cantor. Retificando a informação que dei aqui, o Zé disse que  não gravou as músicas do Roberto não porque a autorização não teria chegado em tempo, mas sim porque o Roberto não autorizou mesmo. Coisas do rei...


Zé Renato canta "Namoradinha de um amigo meu", de Roberto Carlos