sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Vamos dançar?

A partir do momento em que ultrapassei a primeira década de vida, e até alguns anos depois, meu interesse por música foi alternando entre a MPB e o pop internacional. O rock não me pegou. Os Beatles, banda que talvez tenha sido a responsável pela transição do rock básico e simples para um outro de som e temática mais complexos, já não existiam mais como grupo. O rock entrava na sua maioridade, perdera o ar ingênuo dos anos 1960, incorporara novos equipamentos, teclados com recursos mais sofisticados, sons de orquestra e músicos virtuoses. Eu praticamente passei batido por tudo isso.





Em 1967, o jovem inglês Bernie Taupin foi contatado por Ray Williams, da Liberty Records. Ele e o também jovem Reg Dwight haviam respondido ao mesmo anúncio da gravadora, que procurava jovens talentos. Bernie mandou algumas de suas poesias, e o pianista Reg, algumas de suas melodias. Ray Williams resolveu juntar o letrista que precisava de um músico ao músico que precisava de um letrista. Foi uma questão de tempo para que as canções da dupla, interpretadas por Elton John (na verdade, pseudônimo de Reg Dwight) começassem a fazer sucesso no mundo inteiro.

Credito meu desinteresse pelo rock à minha preferência por músicas essencialmente “melodiosas”. Outro fator foi meu total desconhecimento da língua inglesa. Quando fiz o antigo ginásio (hoje ensino médio), o currículo das escolas incluía aulas de francês. O Brasil ainda vivia os últimos ecos de uma época em que a cultura europeia foi mais presente no nosso cotidiano do que a americana, por isso ainda se lecionava o francês nas escolas públicas. Tive dois anos de francês e dois de inglês. Claro, foi o básico do básico do básico, e para nada aquilo serviu. Frequentar escolas particulares de inglês era algo impensável para mim e para a grande maioria dos meus amigos da mesma idade. Então, para quem preferia a melodia e começava a prestar atenção nas letras, era até natural que o rock passasse batido, como passou. Meu próprio temperamento à época, bastante reservado e tímido, me aproximava de sons mais calmos, intimistas, introspectivos.




Proibido para diabéticos: ainda no "Jackson Five", Michael canta a pra lá de açucarada "One day in your life"

Por razões melódicas, eu abria uma enorme exceção na falta de entendimento das letras em inglês para as músicas pop, ou mesmo para o chamado "rock romântico". Naqueles anos, as rádios bombardeavam sucessos de músicos internacionais de grande talento e apelo comercial, cujos chamados “hits” aqui viravam temas de novelas, faixas em LPs de intermináveis coletâneas e pedidos infalíveis nos bailinhos de garagem. Aliás, as sequencias que emendavam 4 ou 5 "lentas", momento em que o rapaz "tirava" uma moça pra dançarem os dois colados, mas colados mesmo, acabaram sendo responsáveis pela alcunha pouco lisonjeira com que essas canções ficaram conhecidas: a de músicas “mela-cueca”.


Gosto de ouvir músicas em alto e bom som. Quando dá, lógico. Esta, cantada pela americana Maggie McNeal, que estourou por aqui em 1976, eu costumava ouvir lá nas alturas. Gostava muito da voz, muitíssimo da melodia, e adorava as intervenções da bateria, quebrando o mingau melódico com porradas que hoje me soam espetaculosas demais. E confesso que nunca tinha visto a cara da moça.

8 comentários:

Vivica disse...

Eu cantava todas as músicas da Madonna num inglês tão ruim que meu irmão só virava com aquela cara de "se tu não parar, eu te mato na próxima estrofe".
Foi aí que eu comecei a ouvir música mexicana mela-cueca. A m´suica podia ser ruim, mas pelo menos o espanhol era melhorzinho que o inglês! kkkkkk

Beijos e bom começo semana

p.s.: hoje eu só ouço rock mexicano, eu juro! rsrsrs

Marcelo Amorim disse...

Vivi, seu comentário me faz lembrar um anúncio de um restaurante mexicano, acho que em São Paulo. O título dizia "Não temos música ao vivo. Sorte sua"...rs

(l' excessive) disse...

Coincidentemente tambem passei batida nesta coisa do rock. Fui prestar atencao neles acho que somente depois ou um pouco antes de John morrer. Eu curtia apenas MPB e nadica mais.(com algumas execoes como Rita Lee)

Marcelo Amorim disse...

Liz, em breve começo a falar sobre a minha fase "radicalmente MPB", que é longa e definitiva. Aí, acredito que vamos estar juntos em meio a belas lembranças sonoras.

Tati Karpa disse...

Nossa, essa da tal da Maggie é daquelas rasgadonas, hem! Então vc deve gostar de Air Supply também =)
Acertei?

E Nikka Costa, lembra dela? Cantora de um sucesso só, até hoje pedem para a moça cantar a mesma coisa, coitada, deve sofrer rsrs... mas "On my own" era mesmo muito legal, lembro que eu ficava no meu quarto, no escuro, com o violão dublando a música, como se estivesse fazendo um show kkkkkk

Marcelo Amorim disse...

Air Supply, Tati? Olha, até gosto, mas não é esse o tipo de música que ouço, não, sou muito MPB. Essas coisas que tenho postado e ainda vou postar têm a ver com fases que foram acontecendo, de acordo com a época, com a minha idade, tudo é parte de um processo que me levou ao que curto hoje, como acontece com todo mundo.
Lembro da Nikka Costa, sim, dela cantando a música "On my own", que na verdade eu já conhecia do ótimo filme "Fama", cantada pela Irene Cara. Tenta encontrar essa versão e veja como é bem melhor que a da malinha da Nikka. Adorei sua participação, Tati.

Tati Karpa disse...

malinha? hahahahaha
blz, vou procurar a outra versão
tb adorei seu blog
bjk

Marcelo Amorim disse...

Achei pra vc, Tati, Irene Cara na cena do filme "Fama": http://www.youtube.com/watch?v=VfTRV5GUiKs