quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Uma tristeza imensa



Quem diria, Preju? Quem diria que aquele filhotinho que brincava com os ramos do pinheiro do meu quintal, naquela manhã de quase 9 anos atrás, iria se tornar meu grande companheiro? Quem diria que seu nome, inventado num momento “engraçadão” meu, ajudaria a compor em você um carisma tão grande e único? Quem diria que você não apenas me ensinaria que adotar bichos é um grande barato, como também ensinaria a todas as pessoas que o conheceram, mesmo as mais reticentes e preconceituosas, que gatos são, sim, animais fantásticos?

Quem diria, Preju? Quem diria que um dia você pularia no quintal do vizinho para dar uma lição em três cães que, uma semana antes, tinham machucado a Juma, a gatinha estressada paulistana, sua grande paixão felina desde o primeiro dia em que a trouxemos para te fazer companhia? Quem diria que você cresceria tanto a ponto de causar espanto a todos pelo seu tamanho? Quem diria que se tornaria um bicho tão bonito e confiante, absolutamente seguro do amor que tínhamos e sempre teremos por você?

Quem diria, Preju, que você viria a ser o bicho mais amado e querido do mundo, entre tantos que são tão amados e queridos pelo mundo afora? Quem diria que você colaboraria indiretamente para que eu e a Ariane passássemos a dividir o mesmo teto? E que seria diretamente responsável pela existência em nossas vidas dos gatos Juma, Gigi, Felini, Rajah e Pagu, e dos cães Guapo, Gaia, Polaco e Alma?

Quem diria, Jeju, que você ia encher nosso sobrado e depois nossa chácara de tanto pelo e carinho? Que agarraria meu braço nos momentos de “tô doidão” e me faria rir, mesmo me deixando todo arranhado? Quem diria que você seria o primeiro e único bicho a assinar um artigo no site do Clube de Criação do Paraná? (http://www.ccpr.org.br/interna.php?pagina=pontovirgula&tpg=2&id=158)

Quem diria que o simples pensamento em você e no seu amor verdadeiro me ajudaria, como muitas vezes me ajudou, a enfrentar alguns dos momentos mais difíceis por que passei nesses últimos anos?

Quem diria que um gato seria tão especial a ponto de fazer um hospital veterinário inteiro torcer por ele? A ponto de uma veterinária experiente chorar ao telefone?

Quem diria, Jeju, que o amor seria tanto e o tempo tão pouco?

Quem diria que a tristeza que sinto hoje seria assim tão imensa? E que a felicidade por ter convivido com você nesses quase 9 anos seria ainda maior que qualquer tristeza da vida, mesmo essa tão imensa que sinto hoje?

Vai em paz, meu lindo. Vai, que quando chegar a minha vez, eu que nunca morri de amores pelo fim de nada, vou conseguir embarcar com mais tranqüilidade, porque sei que irei pro mesmo lugar em que você está agora. Porque sei que vou encontrar o mesmo gato dorminhoco, brincalhão, bonachão, charmoso, “gente boa”, mimado, feliz e, acima de tudo, o grande companheiro que você sempre foi - e sempre será - pra mim.

17 comentários:

Rafa disse...

Linda homenagem. Pena eu não ter conhecido o Preju. Talvez ele fosse capaz de me ensinar a amar os animais. Fiquei emocionada com o texto... puta nó na garganta que dá. Força Marcelo! Gosto muito de vc e estou aqui para o que precisar.

Marcelo Amorim disse...

Você gostaria do Preju, tenho certeza. Mas só o fato de estar ao meu lado nessa hora já vale, porque só os amigos nos salvam, e você, além de amiga, é das pessoas mais divertidas que eu conheço. Obrigado pelo carinho, Rafa.

(l' excessive) disse...

Ora, ora, Marcelo!
que despedida comovente! Preju deve estar muito orgulhoso, agora e antes, enquanto ainda vivia com vocês.
Coisas da vida!
Cresci entre gatos e cachorros e toda vez que alguém se ia, uma choradeira e a promessa de que nunca mais teríamos animais por perto para não sofrermos quando se iam: de velhos ou envenenados.
Mas se não tê-los, como sabê-los, usando a poesia de Vinícius, falando de filhos. Afinal, animais de estimação tornam-se nossos filhos e sua perda, certamente, nos derruba.
Um abraço, amigo!
Lamento o que aconteceu. Mas é a vida!
Bola pra frente!
beijão
liz

Marcelo Amorim disse...

Sim, Liz, é da vida, as perdas são parte da vida. É que tem coisas que são muito preciosas pra gente, você sabe, e fica muito difícil superar esse processo inevitável de transformá-las em lembrança. Mas é da vida, e esta segue em frente. Beijos e obrigado pelo carinho de sempre.

Ana disse...

Torcida nao faltou.
Amor tbem.
Dificil parar de chorar pra escrever.
Fica só o abraço pra vc e para Ariane.
Tém para Juma, Gigi, Felini, Rajah e Pagu, e dos cães Guapo, Gaia, Polaco e Alma.

da Ana, Ozzy, Morgana, Carijó e Lola

Marcelo Amorim disse...

Que turma boa essa, Ana! (pra quem não sabe, a partir do Ozzy é ate a Lola são os bichos da Ana). Te afradeço muito pelas palavras de carinho. Como tenho dito, nessas horas só os amigos salvam. Beijo pra você.

Lu disse...

Celinho... difícil dizer algo que o conforte nesse momento...
Linda e muito comovente a sua homenagem.
Mostrei ao Bruno a foto do lindo Preju e ele disse com os olhinhos brilhando, do jeitinho dele: " Mamãe, óia o gatinho... que tiiinho!!!" (que bonitinho!!!)...
Sinto muito, mais muuuuito mesmo !
Felizes aqueles que tem o privilégio de saber o verdadeiro sentido da palavra "amor"...
Força... fica com Deus.
Um beijo enorme,
Lu

Marcelo Amorim disse...

Oi, Lu. Que gostoso isso que você escreveu do Bruno. Imagino ele, como ia adorar conhecer o Preju, que por sua vez ia sair correndo no começo, porque não tava acostumado com criança...rs. Mas foi isso e foi bem doído, sim. Porém, tá melhorando aos poucos, como deve ser. Agora tem sete maluquinhos lá em casa pro Bruno vir conhecer, mais as histórias que ficaram do "primogênito", que não são poucas. Obrigado pelo carinho, irmã. E dê um beijo bem gostoso no Bruno.

Leila Pugnaloni disse...

Oi, Marcelo:
que pena.
Lido com as perdas hoje quase sem palavras.
Fico muda diante do desamor, da covardia , da desilusão(esta é a maior das perdas).
Mas , como v. diz, diante da alegria que nossos bichinhos nos oferecem, diante da pureza deles, a gente se abastece de beleza e ternura-Deixo estas 2 palavras pra você, na sua dor: beleza, ternura.bj

Marcelo Amorim disse...

É, Leila, a gente ganha alguns presentes pelo caminho que se tornam tão importantes que deviam permanecer com a gente pela vida toda. Mas isso não é assim, e certas perdas derrubam a gente de um jeito...Mas vamos em frente, com beleza e ternura, sim, e cada vez mais, assim espero e desejo também pra você. Um grande beijo, grato pelo seu carinho e sensibilidade.

Vivica disse...

Eu que nem conheci o Preju fiquei super triste aqui. Também acredito que quando a missão foi cumprida, o cara lá de cima diz: "Veeeeeeem". E tem que obedecer...é o jeito né?
Agora ele vai cuidar de ti assim como tu cuidou dele por aqui. :D

Força aí!

Beijos,
Vivi

Marcelo Amorim disse...

Obrigado, Vivi. Se você conhecesse o Preju, ia ver que figura era o cara. A gente costumava dizer: "o Preju não é um gato, o Preju é o Preju!"...rs... É, ele vai estar por perto sempre, sei disso. E os amigos também, como você. Beijo

Francis disse...

Marcelo gosto muito de formulários e documentos antigos, museus. Esse título eleitoral tá o máximo. Eu que trabalho com Cartório, adorei. Tenho Escrituras escritas à mão, centenárias. E vendo o TE, me chamou atenção o mês de setembro: eu sou 19/09. Abç

Francis disse...

Agora que leio sobre Jeju. Gosto de ninhos, balaios de gatos, mas nunca fui de criar. Vou espalhando comida pelas biqueiras, pedindo resto de carnes em churrascarias e bares. Uma vez um amigo apostou na minha indiferença e mandou o garçon ser indiscreto: "Isso é para a sopa?" Disparei a rir, porque já sabia que era armação... Tenho duas histórias de gato interessantíssimas, mas vou fazer um post no SOL. Abç

Marcelo Amorim disse...

Francis, se você soubesse a quantidade de documentos pessoais que guardo, você não ia acreditar. Até carteira de passe escolar ônibus) eu tenho.

Quanto aos gatos, o fato de você se preocupar com eles já é bastante importante e bom. Só não dê carne temperada pra esses bichos, nem com sal, porque faz um mal danado pra eles. Gatos são bichos muito apreciados por escritores, você deve saber, mas só depois de conviver diariamente com um é que a gente descobre o por quê. Depois vou no Sol. Agora não, que agora tá muito quente :-) Um abraço

Francis disse...

Já lhe disse que no sol é gelado (risos). Onte, tade da noite, eu estava no escritorio e emburacou um gato(a) e ficou. Quando dei as costa ele pulou na cadeira macia; tive que levar pra um cantinho... Eu também gosto de guardar tudo, mas na mudança tive que jogar fora (vou fazer um post sobre...) Abç

Marcelo Amorim disse...

Gatos são bichos fantásticos, e sou partidário da crença de que quando um gato se achega na gente, é porque sentiu coisa boa em nós. Um abração