terça-feira, 23 de junho de 2009

A primeira apresentação (parte 1)

Como se diz, a primeira vez a gente nunca esquece. Menos ainda o primeiro mico.

Não chegou a ser propriamente um mico. Pelo que me lembro, a coisa correu até que bastante bem. Eu tinha de 6 para 7 anos de idade, estava cursando o início da segunda série do primário, chamado hoje de “ensino fundamental”. A Dona Marta, professora da minha classe, faltou naquele dia. Como era costume, a escola chamou uma professora substituta que já nos esperava no pátio, onde os alunos eram perfilados para cantar o Hino Nacional.

Em 1970, o Brasil vivia o período de maior recrudescimento do regime militar, mas não sei dizer se cantar o Hino Nacional antes das aulas era obrigatório em todas as escolas públicas. Naquela em que eu estudava, na então longínqua Zona Norte de São Paulo, assim era diariamente.

Como é mais do que compreensível, a professora substituta de um dia não aplicava o programa didático, já que não tinha em mãos a agenda da titular, não sabia a sequência das aulas. Ela deveria apenas manter os alunos ocupados e em ordem até que soasse no corredor o estrondoso sinal. E foi para nos manter em ordem, mas também atentos, que a jovem e simpática professora decidiu propor uma atividade inusitada para a classe toda: quem soubesse fazer algo interessante que quisesse (e pudesse, claro) mostrar aos demais colegas, que se inscrevesse para ir lá na frente, junto à lousa, dar o seu recado. Valia imitação, dança, desenho, plantar bananeira, fazer mágica, o que fosse. Mas havia mais. Após as apresentações, a classe toda votaria na que tinha gostado mais, e o aluno escolhido se reapresentaria no final da aula.


Protagonista de uma série americana que fez grande sucesso na TV entre 1971 e 1974, a "Família Do-Ré-Mi" cruzava os EUA num ônibus-trailer fazendo shows, se divertindo e ganhando muito dinheiro. Ou seja, nenhuma semelhança com a minha.

Apesar de ser um guri muito tímido, eu tinha uma certa “experiência” no que me propus fazer para participar da brincadeira. Desde muito cedo, demonstrei ter grande facilidade para aprender letras de música. Meu pai, como adorava cantar, incentivava isso em mim. Aliás, na família toda. Esqueça iPod, mp3, CD player, esqueça até o finado toca-fitas. Os automóveis da época mal tinham rádio AM. Por isso, quando viajávamos de carro, íamos cantando quase que por todo o percurso, desde o portão de casa até a chegada ao destino. Era só um de nós puxar a primeira frase para os outros emendarem o sucesso. Por serem mais novas que eu e meu irmão, minhas duas irmãs quase sempre não conseguiam acompanhar e, na maior parte do tempo, acabavam dormindo sob o fogo cruzado de músicas do Roberto Carlos, Moacyr Franco, Vanusa, Paulo José, etc. Pensando agora, devia ser por isso que elas sempre vomitavam nas viagens.

(continua num próximo post)


5 comentários:

Vivica Bolacha disse...

Na época da fita cassete, meu irmão gravava váaarias fitas com Lulu Santos, Chico Buarque, Tom Jobim. Bom demais! Entre uma música eu perguntava: "Pai, quantas Polícia Rodoviária (posto rodoviário)falta pra gente chegar?"
Até hoje eu não sei porque eu perguntava isso..rs!

Beijos

Lu disse...

Que delícia que está esse blog, Celo! Parabéns !
Estávamos todos lendo juntos aqui em casa, eu, a mãe e o pai... não preciso nem dizer das carinhas de emocionados dos dois, concordando com tudo que está postado aqui.
Que doces lembranças...
Estou doida para saber o final desse seu "primeiro mico".
Ah ! Tenho uma ressalva a fazer: eu não vomitava não ! Era a Léia... rsrs
Lembra dessa ??? "Cadê Tereza ??? Tá no banco da frente tá !!!(bis)" rsrs
É um enorme privilégio ler os seus textos tão criativos.
Sou sua fã desde que nasci e agora tbém sou fã dos seus blogs.
Me orgulho muito de ser sua irmã !
Beijo enorme procê !

Lu (irmã caçula)

Marcelo Amorim disse...

Vivi, pelo que vejo seu irmão tinha bom gosto na escolha das gravações. Sorte sua, porque pior que uma gaúcha que não come alface só mesmo uma gaúcha que não come alface e ainda ouve música ruim ;-)

Lu, que coisa deliciosa você ter vindo aqui e escrito o que escreveu! Eu não podia esperar nada diferente de você, além de muito carinho. Fico enorme de feliz de saber que você, a mãe e o pai estão acompanhando e participando desse blog, porque vocês fazem parte dele. Agora, era só a Léia mesmo que vomitava? Então ela fazia isso pelas duas, porque eu tinha certeza que a gente levava toalhas pra duas ;-)

Dario Amorim disse...

Olá Celo... Nada melhor para um ser humano perceber o quanto construiu em sua vida e o quanto contribuiu para a vida das pessoas que ama, do que relembrar sua história... O seu passado.
Eu, querido Celo, como seu irmão, me orgulho muito de ter feito parte dessa história.
E que história... Graças a Deus!
Meu irmão... Sinto muita falta dequela época em que só tinha-mos compromisso com a felicidade. Sinto muito a tua falta.
Fique com Deus e até breve.

Marcelo Amorim disse...

Oi, Dario! Que coisa boa ter você por aqui, você e a Catelini, isso me deixa muito feliz. Não só porque é um jeito da gente se sentir mais perto, como também porque você vai poder me ajudar nessa narrativa, já que não dá pra confiar muito na memória de quem adora uma cachaça ;-) Sejam muito bem-vindos!