sexta-feira, 10 de julho de 2009

Jingles que pareciam música

Tenho usado essas primeiras postagens para reencontrar minha “base musical”. Os primeiros sons, as primeiras vozes, as primeiras letras, tudo chegava aos poucos e começava a construir um referencial. Nos anos 1960/1970, além da grande quantidade de atrações musicais que produzia e transmitia, a televisão brasileira também vivia de ecos do rádio. Muita coisa migrou do rádio para a TV, fazendo com que artistas e programas que antes eram conhecidos somente pelo áudio, passassem a ganhar rostos e cenários.




Numa época em que o rádio brasileiro ainda reinava, pela tradição, pela sua cobertura nacional, pelo baixo custo do aparelho, pela programação ainda restrita dos poucos canais de TV existentes, enfim, por n razões, era natural que a TV fosse influenciada pela linguagem do rádio. Nesse contexto se enquadram também os comerciais. Os comerciais de rádio eram quase que essencialmente musicais. Um jingle bem feito era muito mais do que meio caminho andado, e há décadas era assim que funcionava.



Nos primeiros anos da TV, vários jingles que já faziam sucesso no rádio foram usados para embalar comerciais da telinha. A qualidade desses fonogramas publicitários era tanta que alguns desses temas se tornaram clássicos e são lembrados até hoje, como se fossem canções "de verdade". Aliás, hoje está cada vez mais difícil ouvirmos jingles que se equiparem àqueles, nessa coisa de soar como "música de verdade". As razões são muitas, mas uma delas é que até os anos 1970/1980 era comum grandes compositores da MPB comporem também jingles. Renato Teixeira, Sá & Guarabyra, Walter Santos, Zé Rodrix, Paulinho Tapajós, entre outros, para citar somente os casos “mais recentes”, criaram jingles inesquecíveis.



Para garotos que, como eu, ainda não amavam os Beatles nem os Rolling Stones, mas já tinham uma antena bastante atenta para a música, é evidente que os grandes jingles da época marcaram musicalmente. Não tem como deixar de citá-los, então, como um dos ingredientes que compuseram o caldo musical que se formava em mim. Inclusive porque já tive a felicidade de criar alguns jingles profissionalmente. E quer saber? Botar um bom jingle na rua é uma das coisas mais prazerosas para qualquer publicitário.


9 comentários:

Vivica disse...

Se eu disser que tava olhando esses anúncios antes de ler teu post, tu não vai acreditar!
Aproveito pra acrescentar mais dois que eu adoro. O primeiro é um jingle da Pepsi dos anos 70 e o segundo do Banco Meridional (que eu acredito que até os E.T's já tenham enviado a mensagem desse jingle para alguém em algum cartãod e aniversário, Natal ou Ano-Novo...rs!)

Pepsi: http://www.youtube.com/watch?v=iX5_ai6OKp0

Meridional: http://www.youtube.com/watch?v=LHXy2K4wf8I

Beijos

Marcelo Amorim disse...

Vivi, parece então que estivemos em sintonia, e isso é bem bacana.

Esse jingle da Pepsi também é um clássico, e ilustra bem o pensamento de uma época, a juventude contestando o status quo, ou como se dizia, "o sistema".

Quanto ao outro, do Meridional, eu não conhecia, porque esse comercial deve ter sido veiculado só no RS, não é? Se bem que a letra do jingle eu já vi em algum lugar, não sei dizer onde, talvez seja um texto conhecido que eles musicaram pro comercial. Bem bom.

Beijo

Curitiba é um copo vazio cheio de frio disse...

Tenho acompanhado o Notas ... cenas do texto devidamente imaginadas ... em especial a do enciclopédico menino buscando as faixas dos LPs !!!

Camaleoa disse...

O comercial da Vasp me fez ter a certeza de que houve sim uma época em que as aeromoças tinham elegância, uma voz de veludo e uma beleza excepcional. Não é nenhum delírio da minha cabeça.

Marcelo Amorim disse...

Bárbara, fico muito feliz de saber que você tem estado por aqui, pois sou fã do seu blog. E é bem capaz dessa cena imaginada por você, a "busca por faixas nos LPs", ser muito parecida com a que imagino ao tentar me ver menino.

Camaleoa, não tenho como afirmar, mas acredito que essa voz aveludada do jingle da Vasp seja do cantor Dick Farney. Quanto às aeromoças, sim, elas já foram bem mais elegantes. Aliás, muita coisa já teve mais elegância, não é?

Camaleoa disse...

Sim. A avenida Paulista, por exemplo. As estações de metrô de São Paulo. Outro dia me disseram que sou muito romântica. Oras, charme e elegância não tem nada a ver com romantismo, nem com griffe. Como dizia o finado Clodovil, você pode estar vestido de chita e ser muito mais elegante do que qualquer socialite (ou coisa parecida).

Marcelo Amorim disse...

Concordo inteiramente com você. Elegância talvez seja uma das formas de se externar a gentileza. Sou fã das coisas e pessoas que mantém um certo nível de refinamento, não num sentido "afetado", mas sim a coisa do bom gosto, do apuro, do cuidado.

doni disse...

ae marceleza, tava lendo seus posts e encontrei esse comercial da VASP. Putaqueopariu que saudade! E pensar que meu primeiro vôo foi num 737 desses da VASP. Mto legal esses comerciais. Do tipo q a gente não vai ter a chance de fazer, uma pena!

Marcelo Amorim disse...

É, Doni, tem razão, a coisa ficou muito chata, cheia de não-pode isso, não-pode aquilo, engessamentos mil e tal. Mas não tem nada, não, a gente sobrevive mesmo assim. UIm abraço e valeu a visita!